Manuel da silva é o Presidente do clube de empresários portugueses de bordeaux

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Por Carlos Pereira

O Presidente do recém criado Clube dos Empresários Portugueses de Bordeaux, Manuel da Silva, chegou a França há 53 anos, quando tinha apenas 2 anos de idade.

“Sou de uma família de padeiros dos Arcos de Valdevez. O meu avô era padeiro, o meu pai também era padeiro” explica ao LusoJornal. Depois conta que o pai não saiu de Portugal “por necessitar”, mas sim porque “as ideias dele não estavam de acordo” com as de Salazar. “Aqui teve que se sujeitar com coisas que nunca fez em Portugal, como por exemplo trabalhar em obras, depois comprou um camião e começou a trabalhar por conta própria e deu estudos aos quatro filhos”.

Com um curso de mecânica, Manuel da Silva entrou na Peugeot aos 18 anos, tirou um curso comercial, chegou a Chefe de Vendas em Bordeaux e depois foi Diretor da Peugeot em Nice.

“A filial de Nice estava a perder 10 milhões por ano. Um capitão pode levar um barco em frente e outro pode-o levar torto. Eu levei em frente”. 12 anos depois a Peugeot fez-lhe uma proposta interessante para ir para o Brasil, mas preferiu deixar a empresa.

“Ganhava muito bem a vida, saí com um ano de teste, podia voltar ou não, mas acabei por regressar a Bordeaux” explicou.

Há 23 anos criou a Mundauto, uma empresa concessionária de automóveis.

“No negócio dos carros, andamos com muito dinheiro, mas as margens são muito pequenas. Fazemos cerca de 900 mil euros de volume de negócio por ano, mas temos margens de apenas 0,8%” confessa ao LusoJornal.

“Mas todas as infraestruturas são nossas  e isso conta muito”. Manuel da Silva tem atualmente 12 empresas, duas delas no negócio de automóveis, algumas SCI e duas empresas no ramo imobiliário. “Compramos, alugamos, fazemos a gestão. Para nós, o importante é o espaço: temos escritórios, parques de estacionamento, hotéis, vivendas, mas tudo é muito bem situado” diz ao LusoJornal.

Manuel da Silva tem dois filhos. A filha tem 26 anos e é advogada em Paris. O filho tem 23 anos e trabalha com o pai. “Somos uma família de comerciais. Hoje estamos nos automóveis, mas amanhã podemos estar noutros ramos, nos supermercados, numa fábrica,… a vida hoje é assim mesmo e é esta a educação que quero dar aos meus filhos”.

“Os meus filhos são mais franceses do que portugueses. Têm a vida aqui como eu. Só que quando falamos de Portugal, temos arrepios no corpo” confessa. “Vou lá regularmente. Pelo menos 15 dias por ano. Mas também vou ver a família ao Brasil e à América”. Manuel da Silva considera que “os Portugueses são um povo honesto” mas acrescenta que “sempre ganharam muito em França para enviar o dinheiro para Portugal e isso fez com que não hajam cá tantas riquezas como há na Venezuela ou no Brasil. Isso agora travou um pouco. O português que vive aqui já está a criar riqueza aqui e a investir mais na França”.

LusoJornal

O empresário constata a chegada constante de novos portugueses à região de Bordeaux “mas se eu pudesse dar um conselho não era para França que vinham, era para o Brasil, China, Índia, Angola, Moçambique… Aqui dá apenas para viver, mas já não dá para fazer fortuna”.

“Para nós, Portugal é um país de férias”. A família tem “alguns bens” em Portugal, mas Manuel da Silva está a pensar investir em Vilamoura. “Antes da crise, um apartamento nos Arcos era tão caro como aqui em Bordeaux, isso não é normal. Agora estão a descer para níveis mais sensatos”.

“Portugal ficou nas festinhas, nas fabriquinhas, na sardinhinhas,… e nós temos de ir para a frente, com tecnologias modernas” diz ao LusoJornal.

“Portugal pode desenvolver-se tanto no turismo como no luxo”. Explica que “antes de visitar o mundo visitei a França e Portugal” e sabe que Portugal “tem características que agradam aos turístas”. Por outro lado, afirma que “as pessoas ricas não estão em crise. Por isso é sempre interessante investir no luxo”.

Diz que estranha que não haja nenhum português no Governo francês, lamenta que os portugueses estejam tão ausentes da vida pública e confessa que “quando o meu filho tiver cabedal para se ocupar dos negócios, vou trabalhar menos no grupo e vou fazer política”. Por enquanto não, porque “o comércio e a política não se podem fazer ao mesmo tempo”.

Confessa ter ideias de centro-direita.

“Dou a minha cota para a UMP mas não tenho carta do partido. Votei Sarkozy. Não tenho nada contra o Hollande, mas não vai ser o homem que possa levar a França”. Depois acrescenta que “Nicolas Sarkozy foi eleito num período muito difícil mas ajudou muito a Europa. O Hollande está a fazer tudo para pôr os ricos pobres e nós temos é de pôr os pobres mais ricos. Se queremos pôr os ricos pobres, levamos o mundo para a charca”.

Quando deu esta entrevista ao Luso Jornal, Manuel da Silva estava ainda a refletir se aceitava liderar o Clube dos Empresários. “Os portugueses têm a mania e o vicio de criticar” disse.

“Temos de nos ajudar uns aos outros. Veja os judeus, estão sempre a ajudar-se uns aos outros”. Mas desta vez decidiu-se e está agora à frente de uma associação de empresários há muito desejada em Bordeaux. Tem certamente muito trabalho pela frente, mas todos esperam que consiga levar mais este projeto a bom porto.